A Polícia Militar de Sergipe tomou conhecimento da divulgação de estatísticas incompletas, com dados secundários ainda não corrigidos por análise e sem a chancela oficial, disponíveis em grupo FECHADO de determinada rede social e publicados por certo setor da imprensa sem que a instituição fosse consultada para que pudesse esclarecer ou fazer qualquer contraponto inerente ao tema – em resumo, não se ouviu a “outra parte”.

    Em primeiro plano, reforçamos que sempre estamos disponíveis para esclarecer tudo que for pertinente a quem se interessar pelos estudos relacionados à criminalidade, procedidos por profissionais gabaritados e reconhecidos não apenas por sua formação nas áreas de estatística, geoprocessamento e análise criminal, mas também por seu compromisso com a verdade. O Ceac – Centro de Estatística e Análise Criminal (PMSE) e o Ceacrim (unidade correspondente ligada à Polícia Civil) não utilizam os efeitos cosméticos eventualmente detectados em outras localidades, mas tabulam os dados e produzem relatórios diuturnamente. São eles os responsáveis, em comunhão com a Secretaria de Segurança Pública, pela divulgação das apurações de matemática aplicada. Quando nossos setores os divulgam, o fazem por reconhecer a importância do trabalho dos profissionais de imprensa, bem como pelo reconhecimento de que a transparência no trato com a coisa pública é mais do que um princípio administrativo, mas uma contribuição à cidadania.     Tudo que se produz é constantemente analisado pelo Grupo de Gestão Operacional (GGO) que se reúne semanalmente e é composto pelos personagens que decidem acerca das políticas públicas de combate à criminalidade, do Secretário de Segurança aos Grandes Comandos da Polícia Militar, Civil e de Perícias.

    Também entendemos ser necessário que os princípios éticos do jornalismo sejam observados, fugindo da subjetividade, parcialidade e imprecisão, no que certamente corresponderá a um ganho considerável no princípio de relevância e utilidade pública, tão importante para a mantença do estado democrático de direito que tanto almejam os operadores de segurança pública e os profissionais de imprensa.

    Os dados divulgados, que infelizmente contribuem para o aumento da sensação de insegurança, nada mais eram que uma tabulação sem comprovação ou contextualização, listada como referencial para comparação com as fontes públicas usuais. Há de se observar que a Polícia Militar não “esconde” suas estatísticas, mas as divulga após ter certeza de que corresponde à realidade, verificando incongruências entre a coleta e a apuração dos dados, seja quantitativamente, seja qualitativamente.

     Em todos os meses, exceto em novembro de 2017, conseguimos reduzir sistematicamente o número de homicídios na Capital. Nunca houve um aumento de 90%, como alardeado. De fato, neste penúltimo mês do ano, verificamos um aumento de mortes na razão de 77.3%, com 22 registros em 2016 e 39 em 2017. Entretanto, de janeiro a novembro de 2016 houve 379 homicídio contra 289 em 2017 (-23,7%). Áreas de maior conflito obtiveram taxas de redução mais expressivas no período, a exemplo do Santa Maria e 17 de Março (-25,4%) e Zona Norte (-33%).

    Falando em números, a região sob responsabilidade do Comando de Policiamento da Capital, que abrange 09 municípios (Aracaju, Socorro, São Cristóvão, Barra dos Coqueiros, Laranjeiras, Maruim, Santo Amaro, Itaporanga e Riachuelo), registrou no ano de 2016 um total de 41 homicídios contra 65 registros no mês de novembro de 2017, um crescimento de 58,53% no período. No interior do Estado, os números foram de 61 (2016) para 44 (2017), reduzindo 27,9% se relacionarmos a mesma série histórica. Ampliando o recorte para todo o ano (janeiro a novembro) verificamos 626 homicídios na Grande Aracaju em 2016 contra 526 em 2017 (16% de redução). No interior houve decréscimo semelhante, de 574 homicídios (2016) para 487 (2017) – portanto, 15,7% a menor. Não são apenas números, são 186 vidas poupadas com esforço conjunto de toda uma instituição, ainda que determinados setores insistam em não reconhecer tal trabalho.

    Estudos não concluídos nos indicam que ao menos 08 em cada 10 ocorrências letais intencionais têm como vítima indivíduos diretamente ligados ao crime, e o acompanhamento diário destes dados possibilita que realoquemos efetivos nas áreas mais incidentes, ainda que muitos não entendam ou não se deem ao trabalho de perguntar. Exatamente em função deste aumento pontual, operações diárias com grande aporte de efetivos têm sido efetuadas, principalmente nas áreas mais incidentes, como facilmente a população pode perceber. A dinâmica do crime exige ação constante, decisões embasadas e responsabilidade com o cidadão. Nenhum policial sai de casa para outra missão que não seja contribuir para a redução da criminalidade, nenhum gestor se contenta com resultados negativos. A Polícia Militar de Sergipe trabalha sob qualquer circunstância, vez que mesmo sem as condições ideais, sabemos ser o último recurso do cidadão sergipano frente a todas as adversidades.

Última atualização em 11 de dezembro de 2017 às 04:56:51.