O Seminário “Simone Diniz: Racismo entre nós” foi idealizado pelo Poder Judiciário do Estado de Sergipe, por meio do Comitê Gestor da Equidade de Gênero e Raça (COMEGER), com objetivo de fortalecer a proteção contra a discriminação racial e o racismo.

O Seminário Simone Diniz contou com a participação de diversos órgãos do Estado: Tribunal de Justiça de Sergipe, Polícia Militar de Sergipe, Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe, Ministério Público de Sergipe, Defensoria Pública do Estado de Sergipe e Ordem dos Advogados do Brasil/SE.

O evento teve início no dia 16 e foi encerrado no dia 23 de julho.

No primeiro dia do evento foi promovida uma Mesa Redonda com representantes das instituições. A Dra. Lívia Maria Santana Vaz fez a palestra inaugural e o encontro prosseguiu com o início dos Grupos de Trabalhos (GT), a PMSE e o CBMSE se uniram em um único GT por terem realidades e estruturas organizacionais parecidas e por acreditarem na eficiência de ações integradas.

A PMSE foi representada pela Capitã Fabíola e o CBMSE teve como representante a Tenente-Coronel Maristela, que adotaram a estratégia de ouvir integrantes das tropas através de alguns questionamentos para que, a partir das respostas, fosse possível criar ações corretivas e de enfrentamento ao racismo.

Os Oficiais da PMSE Tenente-Coronel Stenio, Tenente-Coronel Barbosa e Major Cruz também participaram e deram suas contribuições ao evento, compondo o grupo de trabalho.

Para compartilhar toda a expertise desenvolvida pelo Estado da Bahia, foi convidado o Major PM Thiago Garcez da Cruz, coordenador do Centro de Referência Étnico-racial, na oportunidade representando também a Superintendente de Prevenção à Violência da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) – Major PM Denice Santiago Santos do Rosário. Na exposição durante o grupo de trabalho foi possível perceber como a Polícia Militar da Bahia trata o tema e consegue dialogar com toda estrutura institucional, o que enriqueceu grandiosamente o seminário.

No último dia do evento foram feitas as apresentações das propostas dos grupos de trabalhos. O GT da Polícia e Bombeiros Militar de Sergipe elaborou um relatório com propostas de ações de promoção da igualdade racial e de enfrentamento ao racismo a serem implementadas nas instituições.

A palestra de encerramento foi brilhantemente conduzida pela Dra. Luislinda Dias Valois e seguida por uma homenagem a Simone Diniz, que deu nome ao evento por ter sido vítima de preconceito racial no trabalho. Seu caso ficou conhecido mundialmente

No “caso Simone André Diniz”, apreciado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em 2006, o Brasil foi responsabilizado internacionalmente por violação aos direitos humanos da vítima num contexto de racismo institucional. A decisão proferida há mais de uma década diz respeito à limitação de acesso de uma mulher negra ao mercado de trabalho por motivo racial.

Em 1997, Aparecida Gisele Mota da Silva publicou na página de classificados do jornal Folha de São Paulo um anúncio de emprego oferecendo vaga de trabalho doméstico para pessoa “de preferência branca”. A pretendente à vaga, Simone Diniz, era uma mulher negra. O emprego lhe foi negado, o que configura discriminação racial, já àquela época vedada pela Lei n. 7.716/1989.

No grupo de trabalho foram sorteados alguns livros sobre o tema para os militares participantes, como Meu pequeno manual antirracista, de Djamila Ribeiro; Na minha pele, de Lázaro Ramos; e Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves.

“O seminário Simone Diniz foi uma grande oportunidade de unir as corporações militares do Estado, que participaram em um único grupo de trabalho acreditando na eficiência de ações integradas. O evento criou a oportunidade para repensarmos as nossas práticas, trabalhamos com muito empenho e abnegação nos últimos dias buscando dentro das próprias instituições as soluções para o enfrentamento à discriminação racial dentro e fora dos quartéis, as discussões propiciaram a identificação das necessidades de mudanças partindo de relatos e vivências de colaboradores que, ao trazer as suas experiências, despertam um olhar apurado e sensível. O fruto do grupo de trabalho foi a confecção de um relatório que será encaminhado aos respectivos Comandantes Gerais para análise das propostas. A TC BM Maristela foi uma grande parceria e a quem devo muita gratidão. Agradeço também a presença do Maj Thiago Garcez da PMBA por contribuir com as boas práticas desenvolvidas em seu estado.

O Seminário oportunizou ainda o reconhecimento de pesquisadores em nossas Instituições, grandes estudiosos sobre essa temática, a exemplo da Cb PMSE Lina, Mestra e doutoranda em antropologia, que possui um admirável trabalho na luta contra a discriminação racial” declarou a Cap. Fabíola.

Última atualização em 24 de julho de 2021 às 12:27:04.