Evento foi realizado na manhã desta quinta-feira, 24, no auditório da Academia de Polícia Civil

“A dimensão do fenômeno da violência, especialmente os homicídios, abarca uma forte carga emocional que acompanha a disseminação da cultura do medo e contribui, inclusive, para intensas e constantes pressões sobre as instituições de segurança, solicitando endurecimento do sistema penal e aumento das ações repressivas do aparato policial”.

A passagem acima é trecho do estudo “Homicídios em Sergipe: Uma reflexão necessária”, uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Análises e Pesquisas em Políticas Públicas de Segurança e Cidadania da SSP/SE (Napsec), que analisou inquéritos policiais registrados no Departamento de Homicídios e Proteção à Vida (DHPP) e que pretende entender a prática de homicídio doloso (com intenção de matar) dentro de um panorama que acompanha a dinamicidade da criminalidade, compreendendo não somente a vitimização e autoria – enfoque de variados estudos atualmente -, como também a motivação.

O resultado parcial dos dados coletados em 2015, abrange as cidades de Aracaju, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão, e aparece em um cenário em que Sergipe desponta como um dos estados mais violentos do país. Foram analisados 539 homicídios, onde a capital sergipana concentrou o maior número com 327, seguido por Nossa Senhora do Socorro com 142 e São Cristóvão com 70.

Na contramão do imediatismo, a realização de estudos qualitativos aliados aos estudos quantitativos que possibilitem reconhecer e identificar a diversidade de fatores que estão envolvidos nas ocorrências dos crimes violentos, favorecerá a construção de políticas de segurança pública pautada no conhecer, entender e planejar, voltadas especificamente para a proteção do bem jurídico mais tutelado, a vida”, destaca o técnico de Planejamento e Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Daniel Cerqueira.

A pesquisa tabulada em parceria com a Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal – CEACrim, abrangeu diversas variáveis sob o enfoque das motivações da prática homicida. Por que acontece? Onde acontece? Qual o pano de fundo que movimenta essa ação? Qual a idade predominante dessas pessoas na relação homicídio – autor/vítima? Qual nível de escolaridade?

Esses enfoques permitiram a apresentação de um resultado parcial apresentado nesta quinta-feira, 24. Em um segundo momento, os pesquisadores analisarão os números do interior sergipano, também no ano de 2015. E numa terceira e última etapa, o objeto de estudo será a compreensão e tabulação dos números retrocedendo até o ano de 2012 em todo Sergipe.

Estiveram presentes à solenidade o secretário de Segurança Pública de Sergipe, João Batista; o superintendente executivo da SSP, coronel Andrade; o delegado-geral da Polícia Civil, Alessandro Vieira; representando o comando da Polícia Militar, coronel Campos; o diretor da Acadepol, Jocélio Froes; o técnico de Planejamento e Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Daniel Cerqueira; além de pesquisadores do Napsec.


Fonte: Ascom SSP/SE

Última atualização em 24 de novembro de 2016 às 03:14:25.