Além das ações de combate ao tráfico de drogas, corporação atua na educação de jovens sobre os riscos em torno dos entorpecentes

Desde 1987 a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu o dia 26 de junho como o Dia Internacional da Luta contra o Uso e o Tráfico de Drogas. Esta data foi criada para conscientizar a população global sobre essa temática, enfatizando a necessidade de combater os problemas sociais criados pelas drogas ilícitas, além de planejar ações de combate à dependência química e o tráfico de drogas. De acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), todo ano 210 milhões de pessoas usam drogas ilícitas no mundo, das quais quase 200 mil morrem anualmente.

O Brasil adotou o 26 de junho como o Dia Nacional de Combate às Drogas e vem desenvolvendo diversas campanhas e projetos para combater o uso e tráfico de drogas. Diante da grande necessidade de se fazer trabalhos preventivos, a Polícia Militar vem desenvolvendo um programa que mostra aos estudantes como ficar longe das drogas, o Programa Educacional de Resistência às Drogas e a Violência (Proerd). A iniciativa foi criada em 1992 no Rio de Janeiro e o projeto modelo teve origem nos Estados Unidos em 1983, e é desenvolvido em mais de 58 países.

Em Sergipe, o Proerd chegou no ano 2000 e é desenvolvido em escolas da capital e interior do estado, por policiais militares treinados e preparados para desenvolver o lúdico, por meio de metodologia especialmente voltada para crianças. As atividades são pedagogicamente estruturadas em lições, ministradas obrigatoriamente por um policial militar fardado, que além da sua presença física em sala de aula como educador social, propicia um forte elo na comunidade escolar em que atua, fortalecendo o elo entre a Polícia Militar, Escola e Família.

A coordenadora do Proerd, major Adriana Littig, destacou que desde a criação da iniciativa, o programa já foi levado a mais de 370 escolas em 20 municípios sergipanos. A militar também ressaltou que o Proerd possibilita uma interpretação sobre a vivência de modo a atuar na prevenção primária, orientando sobre as escolhas na vida das crianças e relembrando os riscos do contato com as drogas.

“Nesses 20 anos de Proerd, nós conseguimos atingir mais de 83 mil crianças somente com um dos currículos do programa. Se formos levar em conta  todas as outras atividades que fazemos, esse número se eleva a muito mais. É um trabalho essencialmente preventivo, no qual os instrutores fazem com muito amor e muito carinho. Uma das coisas que conseguimos fazer é a aproximação da Polícia Militar com a criança. A criança passa a ver a polícia com outro olhar, dando um valor especial à polícia”, evidenciou.

Ainda conforme a coordenadora do Proerd, os instrutores passam por capacitação para ministrar as aulas do programa, que é composto por um encontro semanal. Cada encontro aborda um tema diferente. “O policial militar passa por uma capacitação e somente após ela, o policial pode aplicar os currículos na sala de aula. Ele vai à sala de aula durante 10 semanas. O objetivo final é que as crianças tomem decisões seguras e responsáveis conhecendo as consequências da vida que elas escolhem. Os temas falam sobre comunicação, autoconhecimento e gerenciamento de suas emoções”, reiterou.

A proposta do Proerd é ampliar o alcance do programa. “É um programa que vai muito além da prevenção do uso de drogas, vai para qualquer área da vida da criança. Nós pretendemos aumentar a quantidade de instrutores. Inclusive durante o período de pandemia em que as aulas acontecem online estamos capacitados para aplicar o currículo do 5º ano também de forma online. Basta que as escolas entrem em contato com a Polícia Militar e façam a solicitação ao comandante-geral e nós atendemos o pedido”, complementou a major.

A coordenadora do programa também evidenciou a importância da data no processo de formação das crianças sobre os perigos do envolvimento com as drogas. “Essa data é muito importante para uma reflexão especial sobre o uso de drogas. Não devemos encará-lo somente nesta data, mas temos que refletir sobre isso no nosso dia a dia. É um problema que pode afetar qualquer um, sem escolher idade, classe social, local. Temos que refletir sobre isso todos os dias, mas a data é importante para uma reflexão especial sobre o assunto”, salientou.

Enfrentamento às drogas

A Polícia Militar também atua de forma operacional no combate às drogas e ao tráfico de entorpecentes. Só no primeiro trimestre deste ano, foram apreendidas 674,49 kg de drogas no trabalho ostensivo. O comandante do 8º Batalhão de Polícia Militar (8º BPM), tenente-coronel Geovânio Feitosa, destacou que as ações de combate ao tráfico de drogas levam em consideração os anseios da população local, que repassa as demandas da comunidade à Polícia Militar, que intensifica o policiamento.

“O 8º BPM trabalha a filosofia do policiamento comunitário. Dentro dessa filosofia, mensalmente nos reunimos com os líderes comunitários para ouvir as demandas dos bairros. Dentre os assuntos abordados, está o tráfico de drogas. Com base nessas informações da comunidade, o policiamento é direcionado para o combate ao uso e ao tráfico de drogas naquela região. É um trabalho preventivo pois, primeiramente, ouvimos a comunidade e, também através do Disque-Denúncia da Polícia Civil (181) e do 190”, revelou.

O tenente-coronel Geovânio Feitosa relembrou que a disseminação de drogas é um problema social, que envolve todos da comunidade. “A questão do uso da droga é socioeconômica e envolve a degradação da família, o temor e o medo à comunidade local. A participação da comunidade nesse enfrentamento tem gerado bons frutos, pois, preventivamente, direcionamos o policiamento para evitar que o tráfico de drogas aconteça, principalmente na Zona Norte de Aracaju. É um trabalho positivo e diário. Em qualquer local que se encontre o consumo de drogas, é feito o Termo Circunstanciado de Ocorrência e é feita a condução à delegacia. Nos casos de tráfico de drogas, é feito diretamente o encaminhamento à delegacia”, realçou.

O comandante do 8º BPM concluiu reforçando a necessidade da união de esforços entre a comunidade e a segurança pública para a melhoria da qualidade de vida da população. “É muito importante que todos participem. Vamos fazer desse dia 26 de junho uma data em que todos tenham o propósito de denunciar e contribuir com as políticas sociais de enfrentamento às drogas. O bem será para todos, principalmente para as famílias. Há famílias que têm parentes com dependência química, que faz o uso de drogas, compra e não pode pagar, e a família sofre com as consequências”, pontuou.

Fonte: Ascom/SSP

Última atualização em 27 de junho de 2021 às 10:12:12.